Abrindo a Caixa! #2

Jack Davis

Abrindo a Caixa!

Este será o nome da minha coluna tapa buraco semanal que aparece quando não sei o que escrever ou não tenho nada pronto, trazendo meus principais comentários do Facebook. Boa leitura.

Saudosismo = Romantismo enviadante

Não entendo esse pessoal saudosista que acha tudo de antigamente melhor. Não sei se é porque sou novo demais ou porque gosto de algumas poucas coisas que saem hoje, alguns gibis, alguns filmes, alguns seriados e desenhos, o caso é que pra mim não faz sentido essa postura saudosista.

Em 1989 (ou seria 1990?), quando vi o filme do Batman de Tim Burton, gostei muito, e na época foi um fenômeno pop tipo Vingadores foi hoje e esse atual Guardiões da Galáxia. Essa é a lembrança mais antiga que tenho desses filmes de quadrinhos superpopulares. Mas eu sei que foi assim com Superman de Reeves e até com o Conan do Arnold, foram filmes muito “hype”. Deve ter sido assim com todos esses produtos nas décadas anteriores.

Ou seja, o mesmo hype que temos hoje existiu com relação a esses produtos na infância de um cara que tem 50, 60 anos. O que faz ele pensar que os de hoje não são tão bons?

Os filmes e gibis de hoje são baseados em histórias com mais de trinta anos, porém essas histórias são modificadas para que se adequem ao espírito dos jovens de hoje, seu principal público. Acho que antes do sujeito reclamar e ficar disseminando ódio, tipo dizer que todos os super-heróis dos filmes de hoje são viados, ele deveria fazer uma autoreflexão.

Se você não é mais jovem, por que continua lendo gibi e vendo desenho? Por que não vai ler literatura e ver cinema sério? Isso existe, sabia? Eu vejo um monte de porcaria infantil de cultura pop, sei que muita coisa de hoje não me agrada, reclamo, mas não fico brigando por isso, odiando ou me prendendo ao passado, isso porque nunca achei que só existe cultura pop, na verdade eu tenho um ótimo conhecimento de cinema e literatura “sérios”. Nós crescemos, e não é só no tamanho.

Ficar de saudosismo doentio é coisa de quem deseja ficar cultuando a infância a vida toda, romantismo barato, coisa muito mais enviadante e moderninha do que os atuais filmes de heróis.

Wolverine na revista FOOM

Wolverine na revista FOOM

 Wolverine, um plágio?

Em 1973 a Marvel tinha um fanzine voltado aos fãs, chamava-se FOOM (Friends of Ol’ Marvel), no primeiro número eles fizeram um concurso de criação de personagens e um tal de Andy Olsen criou um personagem chamado The Wolverine, ele tinha esqueleto de metal e um tipo de poder de se curar.

Seis meses depois, em Hulk #181, a Marvel lançou o Wolverine que conhecemos.

Andy Olsen conversou com seu tio e foi alertado de que sua ideia tinha sido roubada, “é isso que eles fazem, eles roubam ideias das crianças”, Olsen era apenas um adolescente na época.

Pessoalmente, já ouvi falar de muitos concursos do tipo, prometendo prêmios ou reconhecimento, mas que só servem para coletar ideias e alimentar empresas sem criatividade. Não duvido que a Marvel tenha pego a ideia do garoto e apenas modificado para lançar um novo personagem.

Saiba mais aqui.

Reclamando mais uma vez

Eu fico impressionado com a quantidade de pessoas que ainda classifica meu blog como “homofóbico, racista e preconceituoso”. “Eu não vou ler esse blog, ele só tem preconceitos” Meu deus! em quatro anos escrevendo o Caixa de Gibis, nunca fui preconceituoso, racista ou homofóbico!

Desafio todas essas pessoas que dizem isso a ler tudo que escrevi e tentar encontrar qualquer frase racista, homofóbica ou preconceituosa.

Quem encontrar pode citar aqui, eu excluo o blog na hora e nunca mais escrevo nada sobre quadrinhos na vida!

O grande problema dessas pessoas é que elas sofreram a lavagem cerebral e o condicionamento. Qualquer um que não concorde com as ideias do senso comum desse povo automaticamente deve ser tachado de racista, homofóbico e preconceituoso, a liberdade de pensamento foi destruída.

Uma coisa que o Caixa de Gibis defende é essa liberdade. As pessoas se esqueceram do que é isso, o que é a liberdade de pensamento e expressão, todo mundo pensa igual e quer pensar igual. Todo mundo tem medo de ser diferente.

Não existe nada de homofóbico, racista e preconceituoso no meu blog, nem mesmo em mim, e as pessoas que me conhecem pessoalmente sabem muito bem disso. Quando vejo leitores desse tipo se aproximarem do blog, eu mesmo mando eles irem embora, não gosto dessas pessoas.

Isto não é saudosismo

Os super-heróis de antigamente eram baseados em figuras mitológicas, fortões de circo, deuses, monstros e idealizações fantasiosas da mais alta estirpe.

Talvez por terem surgido em uma época sem conforto, sem cor, com uma realidade dura de crise e desemprego e entre duas guerras terríveis, as revistinhas de dez centavos encantaram as pessoas mais simples “os analfabetos e os retardados do Kansas”, como se dizia na época.

Hoje, o mundo ocidental vivendo com todas essas tecnologias maravilhosas, cheio de conforto e diversão, os super-heróis perderam o colorido e não representam mais mitos, deuses, monstros, sonhos e idealizações. Seus consumidores são gordos, bem empregados, ricos até, com muito mais do que dez centavos pra se divertir, nível universitário e ideias radicais chics, vivendo no ápice de sua civilização.

Os personagens representados hoje nos novos seriados de TV e em alguns filmes parecem mais uns playboys galhofeiros e socialites anoréxicas, figuras exemplares da futilidade e vazio dos nossos tempos. As imagens de divulgação parecem fotos de cosplay chic, tiradas para se postar diretamente em redes sociais tipo instagram. As coisas mudam.

Autocomiseração

Pascal Girard

A autocomiseração das Graphic Novels

Tava olhando o blog do Érico Assis, porra legal, mas o cara só fala sobre essas HQs que tratam de assuntos do cotidiano. Isso virou uma febre! Todo mundo quer fazer sua biografia em quadrinhos. Cadê a aventura, a fantasia, o fantástico, a habilidade de desenho e narrativa?

Parece que todo mundo que não sabe desenhar quer fazer seu gibizinho tratando de sua vidinha medíocre e os intelequituárs de faculdade adooooram!

Todo mundo posando de artista, mas se você for analisar, a maior parte dessas obras é fraca. Tem gente boa nesse meio, tem Alison Bechdel, David B., Daniel Clowes, Adrian Tomine, David Mazzuchelli, mas tem muita gente que repete os mesmos rabiscos páginas e páginas, em fanzines toscos rebatizados como “graphic novel”, contando sua vidinha sem graça, e os hipsters vão a loucura.

Pelamordedeus, se eu quero literatura, procuro os livros de verdade. Pra mim essa onda Chris Ware é pura afetação de quem é incapaz de escrever um livro de verdade ou mesmo um gibi de verdade e parte pra esses improvisos. Escrever sobre isso também é afetação de quem é incapaz de analisar literatura de verdade, gibi de verdade, então fica nessa fixação em fanzines toscos.

E é como nas artes plásticas hoje, vale tudo, então vamo lá, qualquer porcaria ganha prestígio.

guerras-secretas

Guerras Secretas

Nada é como era antigamente

Essa é sobre o efeito do saudosismo.

Quando li Guerras Secretas pela primeira vez eu devia ter uns dez anos e pareceu genial! Lembrava com muito entusiasmo dessa série, nossa, quantos personagens legais, quantas batalhas sensacionais! Que história empolgante cheia de humor drama e aventura.

Dai eu pego pra reler hoje em dia e quase não suporto, que história idiota! Personagens entrando e saindo de cena, aparecendo do nada sem razão nenhuma, enredo cheio de reviravoltas sem pé nem cabeça, sem motivação clara, batalhas e mais batalhas sem nenhum sentido, história arrastada, heróis mal caracterizados, não da pra acreditar que essa história me empolgava tanto.

Mas a lembrança que eu tinha era tão boa. Era o saudosismo, ele enfeita os gibis.

Graphic MSP é insuportável!

Eu não sei vocês, mas eu não suporto nem olhar pra essas tal de “graphic MSP”, é um monte de gibizinho bonitinho, bem desenhadinho, fofinho, pretensioso, com influência de mangá e o pior dos quadrinhos alternativos americanos. Dai todos os universitários ficam babando em cima, disputando quem vai escrever um TCC sobre. Isso é coisa de hipster. Eu detesto esse tipo de quadrinho.

Não suporto mais isso!!

Bastaram estas duas linhas minhas sobre os Graphic MSP para que despertasse a fúria de uma multidão, inclusive do editor!

Acho que ninguém consegue despertar tanta polêmica escrevendo sobre quadrinhos quanto eu, e tudo que faço é dar minha opinião sincera, ser corajoso nesta época de covardes! eheehheheeh

Kirby anotava os rumos da história

Kirby anotava os rumos da história

BOMBA! Choram as Stanleenets copiosamente!

O blog Newfrontiersnerd (recomendo!) deu a dica de um artigo de Robert Steibel que analisa cópias de páginas originais de Jack Kirby com suas anotações que direcionavam o argumento de Stan Lee em uma história de Thor. Uma prova de que o Rei era o principal criador das histórias do início do universo Marvel, mas foi foi passado pra trás por Lee, o charlatão.

Leiam aqui no Comics Journal.

Fechando a Caixa!

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1 comentário

  1. Muito bom artigo.
    Concordo com esse saudosismo besta das pessoas hoje. Quando anunciaram que a Kombi ia acabar, um monte de gente ficou lamentando. Ninguém lembra o quanto era inseguro essa porcaria de carro? Porque fez parte da nossa infância era bom?
    Voltando aos quadrinhos, concordo com secret wars “como era ruim”. Das antigas (antigas mesmo) da Marvel fico apenas com a saga de thanos e mais nada.
    Não posso falar de outras revistas, já que só leio Batman. Comparo com as histórias antigas do homem morcego e vejo o quanto eram ruins. O encadernado “Casos inexplicáveis” mostra uma compilação de histórias horríveis do homem morcego.
    Acho as histórias de hoje em um patamar muito superior.

    Continue com o blog por muitos mais anos.

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