Nerds são machistas, ou néscios?

Crumb

Eu não acreditava em estereótipos, sempre fui entusiasta do individualismo; comportamentos, pra mim, sempre emanaram de cada um, de suas experiências, valores e educação. Porém, quando conheci o Rio de Janeiro, vi que os estereótipos exercem um efeito na formação das pessoas. Elas se apegam a eles, começam a gostar e, por fim, moldam sua personalidade de acordo.

Explico: o carioca é tido como malandro e folgado. Eles não teriam razões pra serem assim, não é? Assim como os paulistanos não são malucos por trabalho e frios e os baianos não são preguiçosos. Mas os cariocas acabaram se apegando ao estereótipo de malandro e se tornaram folgados, gostaram e começaram a ser assim. Passei a acreditar nos tais estereótipos como uma influência externa.

Agora vamos ao nerds: eles não são babões, retardados, idiotas, virgens, néscios, muito menos machistas. Mas são umas criaturas pouco imunes a influências externas.

Contei aqui no blog que desde os 14 anos já conhecia garotas que liam quadrinhos, sempre vi muitas personagens valorizadas, artistas e leitoras. Portanto, nunca acreditei em machismo nas HQs. Mas hoje acontece algo estranho, você entra em qualquer site de quadrinhos e lá está, sempre na primeira página, uma matéria sobre o tal de machismo nesse universo. No Omelete, Terra Zero, Judão, Comics Alliance, Bleeding Cool, Melhores do Mundo, Marvel 616, todos os grandes sites. Não é interessante que tudo isso ocorra subitamente, como que obedecendo a uma moda? Pois eles precisam mesmo seguir a onda do momento pra continuar gerando receita. Esses sites rendem milhões e se a moda for lutar pelos direitos dos ETs nas HQs, eles vão aderir, não importa nada além da grana.

O grave mesmo é a existência de bizarrices como o site Colante sem Decote, completamente dedicado ao assunto, onde uma figura que escreve pior do que um estudante de terceiro ano fundamental de escola pública do Ceará, discorre de maneira atabalhoada e paranoica sobre o tal machismo em toda a mídia pop. Ela exige pedidos de desculpa, tenta arruinar a reputação de artistas que julga preconceituosos. É ridículo!

Outra parvoíce é o site Ladys Comics. Ao que parece são umas universitárias de ciências sociais (lógico), que decidiram aproveitar que a internet deu voz aos imbecis se reunir pra reclamar que as garotas não tem valor no meio dos quadrinhos. Elas conseguiram a façanha de criar o pior site de quadrinhos do Brasil, o mais sem graça e triste de todos. Imagine só você transformar seu gosto por quadrinhos em uma causa social, existe coisa mais bocó? Essas meninas ficam lá reclamando “por favor, olhem pra mim, eu existo, preste atenção em mim, eu também leio quadrinhos!”, “Eu sou gente”. Quanto coitadismo!

E o pior, analisando os trabalhos apresentados, vemos que a maior parte é piegas, sentimental, pífio em termos de qualidade. As meninas leram um pouquinho de Scott McCloud na biblioteca da facul e já se julgam entendedoras de quadrinhos. Dá vergonha alheia esse site.  Mas são imensamente louvadas, já lotaram até um auditório de desocupados pra reclamar mais atenção para as mulheres nos quadrinhos.

Outros fatos são mais alarmantes, o prêmio HQMix sofreu perseguições de feminazis por ter veiculado, em sua página do Facebook, um meme em que a bunda de uma modelo gostosa aparecia com a inscrição “vamos bombar”. Houve abaixo assinado e tudo, comoção em todos os sites de quadrinhos. E de repente, aquela turba de marmanjos colecionadores de revistas pornôs e fãs de Milo Manara decidiu ser mangina, como demonstração de previsível covardia, imediatamente os organizadores do prêmio pediram desculpas e se ajoelharam perante as feministas como cachorrinhos.

Já falei aqui da censura e humilhação sofrida por Manara por ocasião de uma capa da Mulher-Aranha. Pois é, não está longe de isso ocorrer no Brasil.

Toda essa patacoada surge do meio acadêmico, é nas universidades que se cria a ignorância. Entrei em um grupo de acadêmicos que pesquisam quadrinhos e mais da metade dos posts eram estudos sobre “representatividade” feminina em HQs.  Os ilustres acadêmicos foram os responsáveis pela contaminação da mídia de quadrinhos com o discurso de que as HQs seriam machistas. Esses estudos pseudocientíficos passaram ao senso comum. Eu comentei por lá:

“A banalização desse tipo de ‘estudo’, passando dos ‘especialistas’ para os jornalistas, que os popularizam, vem gerando campanhas de caça as bruxas muito semelhantes as campanhas realizadas na década de 1950. Veja por exemplo a campanha para que Orson Scott Card, um dos maiores escritores de ficção científica da atualidade, não fosse contratado para escrever Superman porque ele seria supostamente homofóbico. Eu acho necessário que haja certo cuidado com essas pesquisas pois elas me parecem deveras enviesadas. Os autores se voltam ao tema já com a teoria pronta e buscam prová-la pescando aqui e ali pequenos trechos de histórias e inventando anedotas. Muito cuidado com isto pois o que vocês estão a fazer é um desserviço aos quadrinhos.”

Outro meio contaminado pela idiotice são os eventos. Antigamente você ia aos eventos de HQs e não havia nenhum tipo de  discussão sobre causas sociais; eram palestras sobre artistas, editoras, desenhos desanimados da Marvel, cronologia DC, cineastas de stop motion, uniformes de heróis, bonequinhos, enfim, coisas úteis. Mas tudo mudou. Vi notícias de pelo menos três eventos aqui em São Paulo, no espaço de apenas um mês, em que o tal assunto representatividade feminina seria discutido, e ainda a notícia ridícula da vinda de Gail Simone para um grande evento no Brasil, mesmo ela não tendo comunidade de fãs nem trabalhos relevantes que justifiquem tal vinda, apenas por ser a guru das feminazis. Um evento intitulado “Jornadas acadêmicas de quadrinhos” trouxe uma feminista radical completamente desconhecida no Brasil, a mulher não conseguia, pelo que me contaram, nem mais falar. Mas isso foi tido como um grande evento de HQs!

Os sites jornalísticos se renderam, levados pelo meio acadêmico e pela promessa de receita fácil; os nerds, criaturas facilmente manipuláveis, compraram a ideia como quem compra uma trilogia, os eventos só vem a reproduzir aquilo que virou moda. O estereótipo dos quadrinhos como produto machista, incluindo ai seus produtores e consumidores, virou senso comum. Agora restaria apenas pedir as mais humilhantes desculpas e se ajoelhar perante as dominatrix.

É uma pedição de atenção pra mulherada que eu nunca vi! Nem nas seções de cartas da editora Abril, onde as meninas eram chamadas de conanmaniacas e ganhavam sempre o destaque (e cartas, que eu também mandava he he). Os nerds agora ficam implorando a consideração de feministas, muitas das quais nem gostam de homem!

Dai pergunto: não estariam os nerds começando a curtir o estereótipo de machista e se tornando retardados, virgens, idiotas, babões, néscios?

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13 comentários

  1. “A banalização desse tipo de ‘estudo’, passando dos ‘especialistas’ para os jornalistas, que os popularizam, vem gerando campanhas de caça as bruxas muito semelhantes as campanhas realizadas na década de 1950″

    Exatamente isso…É um “infográfico”. Manufaturam pesquisas fajutas em faculdades de ciências sociais, escorrem pros jornais, idiotas leem aquilo, espalham em redes sociais e está formada a rede de censura. Mas é um tigre de papel, acredite-me. Tem força devido ao apelo de manginas de plantão que, infelizmente, têm algum poder. O poder emana deles, não do tigre de papel.

    Só reforçando, o mansplaining da Sra. que comentou acima, faz parte do jargão de neologismos paranóicos e neuróticos criados por feministas americanas. Consiste em explicar algo a uma mulher, afinal, ela é superior e não precisa de explicações (cof, cof). Cathy Young, uma feminista libertária, tem dito que estes termo e outros fazem parte do padrão de pensamento duplo das feminazis. Outro termo é Manspreading (homens que abrem as penas nos ônibus)

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  2. A situação é risível…basta o publico interessado em HQs sem censura boicotar as HQs censuradas…E deixar por fim as feministas ocuparem essa fatia no mercado de consumo! Das duas uma, ou elas sustentam as Marvels da vida, ou eles serão obrigados a procurar o velho público. Dinheiro é poder!

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