De volta para o passado… por favor!

futuro

Marty McFly chega hoje. Não vai passear de Hoverboard, não vai ver Tubarão 19 em Holomax, não vai andar em carros voadores, não vai usar tênis que amarram sozinhos, jaquetas autosecantes, muito menos utilizar lixo como combustível. Vai apenar ver tablets, cinema 3D, telas planas, videochamadas e aplicativos para previsão do tempo. Também vai descobrir a existência de algo chamado internet, uma rede de computadores controlada por grandes corporações que conecta virtualmente todas as pessoas do mundo, ele vai descobrir que as pessoas trocam mensagens por meio dessa rede em vez do Fax, já extinto. Fotos, vídeos, textos e todo tipo de informação podem ser compartilhadas em tempo real. A chegada de seu deLorean será filmada com um smartphone e curtida por milhões em uma página de vídeos chamada youtube. Ele vai virar meme.

Descolando um smartphone, McFly vai aderir plenamente a essa rede, entusiasta de tecnologias que é, vai navegar pelo Facebook e logo vai descobrir que o assunto do momento é o trailer do novo filme da franquia Star Wars, continuação da trilogia que ele assistiu em fitas de videocassete, na companhia do Doc Brown, no longínquo ano de 1985.  Esse vídeo é veiculado há dois dias a exaustão e todos, absolutamente todos os seres viventes do mundo civilizado já viram.

Então, aprendendo a usar a maravilhosa internet, logo McFly vai ler sobre uma polêmica: algumas pessoas não querem que um protagonista do filme seja um jovem negro chamado John Boyega. Eles dizem que isso é uma propaganda contra brancos! Mas como isso é possível? O prefeito de Hill Valley em 1985 é Goldie Wilson, e ele é negro, foi faxineiro no Lou Carruther’s em 1955, agora em 2015 o filho dele também é prefeito. Oh Wait, uma rápida pesquisa em uma coisa chamada google mostra que o atual presidente dos Estados Unidos também é negro! Será que os negros estão dominando o mundo?

Pesquisando mais, McFly descobre que não existe nada disso, não há uma grande quantidade de pessoas reclamando do ator negro, foram apenas duas pessoas em um site chamado Twitter. Que coisa estranha! Duas pessoas escrevem uma besteira e todo mundo pensa que a America voltou aos anos 1940? Pra que serve isso afinal? Será que é pra promover o filme?

Um pouco mais de Facebook e McFly encontra sites feministas, eles dizem que o cartaz do filme é sinal de “emponderamento”, que o mundo do cinema nerd costumava ser centrado nos “cisgêneros”, mas agora a “teoria queer” veio trazer “representatividade” para as mulheres, os “transgêneros”, contra a “translesbohomofobia”. Oh What a Fuck? McFly fica assustado, ele sabe que é só um cartaz de filme, quanto mais garotas melhor. E o que significam essas palavras todas?? Que mundo mais bizarro, as pessoas estão falando outra língua sem sentido algum, mudando o nome das coisas e tentando encontrar pelo em ovo.

Mais um pouco e McFly descobre sites sobre quadrinhos, um deles exalta o novo gibi do Capitão América, que foi substituído pelo Falcão. Até ai nada de novo, o Falcão já teve destaque na revista do Capitão na década de 1970. Mas agora, assumindo o posto de Steve Rogers, ele luta contra americanos! Como pode o Capitão América lutar contra americanos? Como esses sites podem achar que isso está correto, ninguém fala nada, que loucura!

Em seguida, uma coisa maravilhosa é descoberta por McFly, ele pode fazer download de gibis pela tal internet, e ler ali mesmo! Ele baixa um exemplar de All New X-Men#40. Deve ser legal, afinal de contas, tudo novo nos X-Men. Qual a surpresa de McFly ao se deparar com um trecho de seis páginas em que Jean Grey lê a mente de Bobby Drake, o Homem de Gelo, só para revelar que ele é gay! Em seguida, Jean faz um  longo discurso tentando convencer o leitor de que todo mundo seria bissexual. Onde esta a ação, a aventura, será que baixei um gibi pornô? Pergunta-se McFly, indignado.

Recorrendo mais uma vez aquela ferramenta de nome arcaico – google – ele descobre que nos últimos cinco anos, uma enxurrada de personagens foram transformados em gays, escritores e desenhistas homossexuais tomaram conta das redações da Marvel e DC Comics e executam um lobby nesse sentido. Curiosamente, eles nunca criam um novo personagem gay, apenas pegam personagens já existentes e os transformam. Dão prioridade a política em vez da aventura e ação nos quadrinhos. McFly também descobre que esses gibis não vendem nada se comparados aos de 1985. Ele não entende por que são publicados se só existem pra satisfazer fantasias de gente maluca.

Por azar e por não saber utilizar a internet, McFly cai de novo em sites feministas. Lá ele descobre grupos de garotas, supostas fãs de quadrinhos, fazendo campanha para que as personagens deixem de vestir uniformes sensuais. Elas tem uma guru chamada Gail Simone, uma cabeleireira que se finge de roteirista de quadrinhos. Essa mulher completamente paranoica já conseguiu transformar as personagens Vampirella e Sonja, tirou-lhes as roupas sexy e colocou uniformes que cobrem seu corpo totalmente. É um novo tipo de moralismo – pensa McFly. Mas peraí, garotas sempre leram quadrinhos, por quê isso agora? Por que essas feministas estão destruindo as personagens de quadrinhos?

Isso o faz lembrar quando esteve em 1955, naquele ano não se encontrava nenhuma comic book de terror ou de crime nas bancas da América, pois no ano anterior, um psiquiatra comuna tinha feito uma perseguição aos gibis, alegando que eles incentivavam a delinquência juvenil, continham racismo, machismo, exploração sexista de mulheres, os personagens eram fascistas e gays, isso fez com que as editoras criassem o Comics Code, uma série de regras para autocensurar o conteúdo dos gibis. A época atual, com esses malucos utilizando essa tal de internet, é muito parecida com aquela. Há uma paranoia social e as pessoas não estão sabendo se divertir, fazem essas campanhas pra modificar e censurar quadrinhos.

Que diabo de futuro é esse? O mundo ficou louco, os jovens viraram idiotas que parecem os velhos de 1950, reclamando do conteúdo de gibis e filmes, querendo censurar, controlar, inventando palavras ridículas e sem significado, vendo mensagens escondidas onde não existe e tentando inserir mensagens políticas onde deveria existir apenas entretenimento. Esse futuro é uma porcaria, é ridículo, não é uma distopia, nem uma utopia, é uma cacotopia!

Mas sabe o que é mais idiota? As selfies. A pizza não é instantânea e mesmo assim as pessoas querem tirar uma foto dela antes de comer. Vamos embora Doc Brown, vamos embora o mais rápido possível desse mundo de idiotas!

 

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11 comentários

  1. Perfeito texto, Mauro! Serviu como um Engov pra asia que todas essas questões provocam. Essa última do ‘Falcão América’ e as barbaridades que se comentam nos sites daqui e de lá…também senti falta de 1985 (e olha que eu tinha só dois anos na época).

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  2. Muito bom o texto, Mauro! Acompanho o blog há um tempo, e acho que esse foi um dos melhores resumos do admirável mundo louco em que vivemos. Um retrato fiel da destruição do entretenimento para fins de uma engenharia social doentia. Continue o bom trabalho, faz toda a diferença em dias como estes.

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  3. Você fala como se todos os jovens fossem esquerdistas e SJW que querem censurar tudo mas não é verdade nem todos são assim, é claro tem uma parte que é mas tem muitos jovens que são direita e conservadores ou são contra essas atitudes, enquanto isso tem marmanjo de 40 anos como os donos do Omelete usando a cultura Pop como panfleto politico para alienar os jovens e vocês não falam nada.

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  4. Não se esqueça de falar que os games também sofreram vários ataques de feministas que tentaram censurar essa mídia e transformar os gamers em “misóginos” pesquise o caso Gamergate e você vai descobrir da onde surgiu o termo SJW e essa confusão toda.

    Já não basta os gamers terem o estereotipo de gordos, pervertidos, viciados sem vida, adultos infantilizados, malucos assassinos e agora de misóginos também pqp…

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    1. Não vejo conservadores empenhados nessa cruzada contra o sexo nas mídias (pelo menos os conservadores clássicos, quem lê Chesterton e Scruton não se importa tanto com isso, desde que seja apresentado de forma bela e não de mau gosto). Os únicos que eu vejo que aderiram a essa histeria coletiva são as feministas e os justiceiros sociais de internet.

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  5. O Omelete querer chamar atenção, por conta da polêmica, os leitores entram na onda e ficam aumentando a mesma. Tornando ainda maior algo que NÃO afeta a qualidade da hq (nem pro mal e NEM pro bem) e nem dos personagens (pois AMBOS NÃO SÃO os originas Thor e Capitão) e, no fundo, não interessa a ninguém. Ou seja, a Marvel dá uma de programa de fofoca e consegue uma publicidade tola sem nenhum esforço. E ainda passa na cara da sociedade o quanto os leitores são chorões e tentam não revelar um preconceito mal disfarçado ou um argumento fraco.
    Saudades do tempo em que, sem internet, ninguém ficava reclamando que o Rhodes (um NEGRO) se tornou o novo Homem de Ferro; ou que existia um Homem Aranha em 2099 que NÃO era o Peter; ou que o Steve Rogers deixou de ser o Capitão América para que o Agente Americano o substituísse no uniforme; ou que o NOVO Thor era Bill Raio Beta; ou que Rick Jones tinha se tornado o novo Hulk; ou que Barry Allen morreu para que Wally West assumisse o legado do Flash. Porque… era uma época onde… as pessoas LIAM ANTES de comentar besteira.
    Saudades do tempo que a Marvel e a DC fazia essas modificações para sair do status quo com BOAS HISTÓRIAS. Ninguém perdia tempo comentando quem substituiu quem, e sim que melhorias isso trouxe ao personagem ou não. E TODOS sabiam que, tirando raras ocasiões, os heróis originais iriam RETORNAR aos seus uniformes. E todos levávamos na brincadeira.
    Também tenho nostalgia da época em que sites e revistas de cultura pop nos informavam a respeito do que estava sendo lançado nos EUA, sem agir como os debiloides de sites que ganham a vida publicando se uma celebridade virou gay, apareceu sem calcinha ou falou mal de OUTRA celebridade. Mas, a moda agora é se chamar de ”nerd”, comentar a respeito de quadrinhos e filmes com personagens dos quais pouco conhece e o pior: Contando apenas metade da história e deixando um vácuo para que leitores, igualmente debiloides, deem força para a desinformação crescer e ganhar jeitão de coisa relevante. 😦

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  6. Saudades da época que não existiam tantas redes sociais e a internet não era tão visada pela mídia.

    Tinha piadinha com isabela nardoni, joão helio, eloá cristina e ninguém falava nada.

    O humor negro tava no auge.

    sdds

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