Uma feminista que ama os quadrinhos!

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O Caixa de Gibis conseguiu uma entrevista exclusiva com a quadrinista feminista Femi Nasi Mal-amadah. Nosso correspondente na Síria encontrou a militante em um local secreto, em meio ao fogo cruzado da guerra contra os patriarcalistas. Mal-amadah é uma das líderes de um novo grupo de feministas fãs de quadrinhos, o Estado Feminista da Arte Sequencial e do Gibi.

O EFASG trabalha na internet fazendo campanhas pelo emponderamento feminino, lutando contra a objetificação da mulher, combatendo o patriarcalismo e a translesbohomointerfobia nas histórias em quadrinhos. O Caixa de Gibis considera este trabalho de alta importância social, por isso apresentamos esta entrevista histórica.

Caixa de Gibis: Antes de tudo, o seu traje é de alguma religião?

Femi Nasi Mal-amadah: Não, jamais, nós não temos nenhuma religião, as religiões são formas de oprimir a mulher, nossos corpos são laicos. Este traje é para garantir que minha imagem não será sensualizada em seu site patriarcal. Pena que esqueci os óculos escuros.

Caixa de Gibis: Agora sim, vamos começar: Senhorita Mal-Amadah, fale sobre si mesmo, como foi que descobriu os quadrinhos, qual foi o primeiro gibi que leu?

Mal-Amadah: Meu primeiro gibi foi da Mafalda, eu devia ter uns 18 anos, foi na faculdade de ciências sociais, eu tava procurando um papel pra apertar um baseado, quando encontrei aquele gibi. Mas o papel era muito grosso e acabei nem apertando, então eu li o gibi. Sabe, foi tipo uma paixão na hora, uma descoberta,  aquilo me representava. Meus professores já tinham falado da exploração do capitalismo, eu já tava ligada na realidade do sistema opressor patriarcal em que vivemos. Mas a Mafalda, ela fala tudo pra gente, ela é minha inspiradora. Tem seda ai?

Caixa de Gibis: Não, o nosso blog é contra as drogas. Então quer dizer que você não descobriu os quadrinhos na infância como a maioria das pessoas? E depois o que você leu além da Mafalda, algum gibi de Super-herói?

Mal-Amadah: Não, eu nunca li gibi quando era criança, não me lembro. Acho que foi porque eu era excluída, acho que os meninos escondiam os gibis de mim. Eu nunca li super-heróis. Esses quadrinhos estadunidenses sempre foram machistas, opressores e excludentes, eles representam a opressão do homem branco cristão cis imperialista contra a mulher emponderada, os intersexuais e os transgêneros. Eu acho que os super-heróis deveriam ser decapitados da indústria de quadrinhos.

Depois da Mafalda eu li a Laerte, foi a descoberta da minha vida, ela me libertou das amarras opressoras, eu li muito quadrinho brasileiro, principalmente os do PROAC, a biografia do Zapata que foi financiada com dinheiro do contribuinte, li muito Ziraldo, saca, e nos sites de financiamento hipster, que dizer, coletivo, tem muito quadrinho legal com emponderamento; mas li argentinos também, a biografia do Che Guevara do Breccia que prega o paredon pros dissidentes da revolucion.

Agora o que eu mais gosto é da Gail Simone e da Becky Cloonan, elas são minhas ídolas. Dai eu abandonei a faculdade pra fundar o Estado Feminista da Arte Sequencial e do Gibi. Nós financiamos nossas ações por ajuda coletiva. Você não quer colaborar?

Caixa de Gibis: Ah não, nosso blog é contra crowdfunding.  Mas, conte como surgiu seu movimento.

Mal-amadah: A gente se reuniu no DCE da féfélétch e acendeu um charutão e lá pela madruga tava passando Orange is The New Black e a gente sacou que tava precisando emponderar, saca? Fazia uns três dias que a gente tava ali, refletindo sobre nossos corpos sem tomar banho e eu vi que os quadrinhos masculinistas e os filmes são muito opressores, que alguém deveria fazer algo,  então reuni as meninas pra emponderar.

Caixa de Gibis: Mas agora é que nós estamos chegando ao ponto principal da entrevista. Vocês vem fazendo um trabalho de combate ao machismo nos quadrinhos há alguns anos, e agora estão aparecendo com mais destaque na mídia. Conte-me, qual o objetivo de vocês? Quais foram suas principais ações?

Mal-Amadah: O nosso objetivo é decapitar o machismo e explodir o preconceito dos quadrinhos! E sobre as nossas ações, nós já fizemos muita coisa. Nós já conseguimos que a Disney proibisse o bikini de escrava da princesa Leya, nós pretendemos forçar eles a reparar digitalmente os filmes antigos, tirar a Leya e colocar o Han Solo como escravo.

Caixa de Gibis: Mas isso não faz sentido na história…

Mal-Amadah: Não me interrompa! Nós vamos exigir isso como uma compensação histórica! Um povo escravizado sempre será excluído! Também vamos continuar a trabalhar com minha ídola Gail Simone para emponderar antigas personagens oprimidas e objetificadas pelos patriarcas cis. Já fizemos a Sonja e a Vampirella, tiramos delas as roupas opressoras que mostravam seus corpos e colocamos elas mais lacradas. Já colocamos uma calça na Mulher-Maravilha e nós vamos pegar outras personagens, a Jean Grey precisa vestir mais roupas e parar de sensualizar, a Vampira e a Canário Negro também. Vamos impedir a republicação de alguns gibis tipo a Piada Mortal e Watchmen, que tem cenas de violência contra nossos corpos.

Além disso, tudo do Frank Miller vamos proibir, esse cara é o maior fascista cis branco cristão do mundo, nós vamos decapitar o trabalho dele. Além disso, vamos proibir definitivamente tudo de Conan, esse é o personagem mais patriarcal opressor da humanidade, nós vamos explodir ele. Tem isqueiro?

Caixa de Gibis: Oh não, Mas o certo não seria vocês criarem personagens que expressem suas ideias? Por que mexer nas criações alheias?

Mal-Amadah: Mas nós criamos! O problema é que o mercado capitalista não quer que nossos gibis sejam lidos, os opressores nos boicotam. Eu vou inscrever um projeto no PROAC (Programa Revolucionário Organizado de Arte Canalha) ano que vem, lá eles dão uma graninha do contribuinte pra quem quiser fazer um gibi revolucionário, o meu será sobre a super-heroína Olga Benário. Ou talvez eu financie pelo crowdfunding, sei lá.

Nós não mexemos na criação de ninguém, só estamos emponderando as personagens que foram oprimidas por mais de dois mil anos. Imagina só a Sonja, ela é oprimida desde a Era Hiboriana, nós vamos explodir com isso.

Caixa de Gibis: Você não acha que isso vai acabar com a livre expressão e a criação artística? E por que esses gibis não vendem?

Mal-Amadah: Jamais, a arte existe pra inclusão social e pro emponderamento, deve haver sim liberdade de expressão e criação, desde que seja pro emponderamento! Mas a sociedade cis machista não vê isso. Os gibis não vendem porque os machos cis nerds punheteiros estão escondendo na prateleira, mas nós vamos explodir umas comic shops e resolver isso.

Nós estamos conquistando nosso espaço. Veja os eventos, antes só tinha nerd punheteiro, hoje nós damos palestra e eles nos apoiam. O mundo está mudando. Nós já dominamos a maioria dos sites, blogs e redes sociais; os eventos todos tem palestras sobre feminismo e emponderamento nos quadrinhos. Os próprios nerds estão nos apoiando e reconhecendo que somos super.. err, que nós somos importantes.

Caixa de Gibis: O que você acha desse apoio dos nerds?

Mal-Amadah: Os nerds acham que agora que estão na moda eles podem comer alguém,  mas as meninas oprimidas pelo sistema não dão atenção pra eles, a não ser que o cara tenha uma startup promissora e… então eles vem pra cima da gente e tentam nos agradar com esse apoio, pra quem sabe ocupar nossos corpos, mas nós não vamos dar pra eles não!

Não publique essa parte, é segredo interno do nosso grupo, falou?

Caixa de Gibis: Qual é o seu próximo evento?

Mal-Amadah: Estarei com minha ídola Gail Simone no Brasil em breve, vamos lançar uma campanha pra proibir os cosplays sensuais para que as meninas não sejam mais objetificadas e oprimidas pelos machos cis. Também vamos lançar um concurso cosplay trans de super-heroínas de bikini. Os nerds vão adorar. Vamos emponderar muito.

Caixa de Gibis: Muito obrigado pela entrevista senhorita Femi Nasi Mal-amadah.

Mal-Amadah: Tem seda ai?

 

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