Cinco anos do blog Caixa de Gibis

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Estamos aqui há cinco anos. Sim, este exército de um homem só, este pregador solitário do deserto já tem meia década de blog. Na verdade começamos em setembro de 2010, no dia 8, pra ser exato. Foi em um feriado de sete de setembro que eu idealizei o Caixa de Gibis. Nada mais adequado pra um blog que celebra a liberdade de pensamento e busca esclarecer as pessoas sobre as ameaças contra ela no meio dos quadrinhos.

Desde meu primeiro post, mantive a coerência, segui uma linha de pensamento clara e bem delineada. Nas resenhas ou nos comentários sobre a atualidade dos quadrinhos, tentei enxergá-los pelo que eles são, sem cair no vício acadêmico ou no puro comentário inofensivo dito “jornalístico”. Um blog de opinião se faz com personalidade e a custa de muitos sacrifícios.

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Frank Miller ironiza a decadência dos quadrinhos

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Frank Miller estará no Brasil no próximo mês para o evento Comic Con Experience (CCXP). Ele vem divulgar seu novo trabalho, o terceiro volume de Cavaleiro das Trevas. Não há muito a se falar sobre a HQ além de que não é uma continuação natural da história, mas sim um golpe de marketing, como alguns dizem, para pagar tratamentos de saúde de Miller e levantar a DC Comics de um suposto colapso financeiro, o prejuízo de dois milhões de dólares.

Este terceiro volume vai tratar da libertação dos kriptonianos de Kandor, a cidade engarrafada por Brainiac, eles vão compor uma “raça superior” a ser confrontada por Batman e outros heróis do panteão DC. Escrita por Brian Azzarello e desenhada por vários artistas, a HQ vai ser lançada semana que vem nos EUA, e um quarto volume já foi anunciado.

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FIQ 2015 – Evento de quadrinhos ou doutrinação política?

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Quando era líder estudantil, achava muito chato aquelas intermináveis reuniões pra discutir política. As vezes era sábado a noite e estávamos lá, com “questões de ordem”, junto dos “companheiros”. Sim, eu desperdicei parte da minha adolescência ouvindo a lenga lenga da esquerda.

Mas havia uma compensação, os eventos de quadrinhos. Eles eram o exato oposto das monótonas reuniões políticas. Você entrava em outro mundo, de fantasia, de ficção científica, sword and sorcery, humor. O importante era se divertir, conhecer pessoas, ver coisas novas e interessantes. Eu podia sair de uma chata reunião política pra um evento desses e deixava as discussões sérias pra trás.

Mas as coisas aparentemente mudaram. Eu fiquei estupefacto quando vi a programação do evento Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ), a ser realizado esta semana em Belo Horizonte, Minas Gerais. Quase todas as discussões são relacionadas a política, o evento parece ser direcionado a um único objetivo,  (des) educar os participantes para as ideologias políticas que contaminaram os quadrinhos.

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Uma feminista que ama os quadrinhos!

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O Caixa de Gibis conseguiu uma entrevista exclusiva com a quadrinista feminista Femi Nasi Mal-amadah. Nosso correspondente na Síria encontrou a militante em um local secreto, em meio ao fogo cruzado da guerra contra os patriarcalistas. Mal-amadah é uma das líderes de um novo grupo de feministas fãs de quadrinhos, o Estado Feminista da Arte Sequencial e do Gibi.

O EFASG trabalha na internet fazendo campanhas pelo emponderamento feminino, lutando contra a objetificação da mulher, combatendo o patriarcalismo e a translesbohomointerfobia nas histórias em quadrinhos. O Caixa de Gibis considera este trabalho de alta importância social, por isso apresentamos esta entrevista histórica.

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Os 13 piores sites sobre quadrinhos de todos os tempos

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Faz parte do ofício da crítica de quadrinhos ler o máximo possível do que se escreve a respeito, e hoje se escreve principalmente na internet. Percorro centenas de sites sobre quadrinhos em vários idiomas, dos mais relevantes aos mais obscuros. Neste périplo, percebi um decréscimo monstruoso da qualidade do discurso nos últimos cinco anos. Os quadrinhos vem deixando de ser vistos como um entretenimento e tem se tornando veículo de bandeiras políticas bizarras, ofensivas e paranoicas.

Isto me levou a elencar os treze piores sites da internet, aqueles que vem deturpando o sentido e os objetivos das histórias em quadrinhos; de entretenimento saudável, propulsor da imaginação e da fantasia de crianças, jovens e adultos, para uma espécie de cartilha ideológica pós-moderna disfarçada de produto, disfarçada de arte, pronta para ser usada para a doutrinação, para o condicionamento comportamental e apta para a aceitação em meios intelectuais elegantes; contrariando a tradição cultural dos quadrinhos como uma forma de arte popular, descompromissada com bandeiras ideológicas socialmente aceitas, uma arte subversiva e anárquica.

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Por que os quadrinhos?

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Vou conduzir você por esta história curta de Daniel Clowes que, a meu ver, é uma viagem pela mente de quem escolheu os quadrinhos como meio de expressão. Não vou falar sobre Clowes e o trabalho dele, deixa pra outra hora. Só vou propor uma leitura conjunta pela via pessimista do autor, venha comigo, você vai ser o protagonista da história.

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A Trilogia Nikopol – Obra-prima incompleta

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A chamada Trilogia Nikopol é um clássico dos quadrinhos europeus, obra do artista iugoslavo Enki Bilal, produzida entre 1980 e 1992.  Seus três volumes são A Feira dos Imortais, A Mulher Enigma* e Frio Equador. Eu a li pela primeira vez há mais de dez anos, ainda na edição da Martins Fontes, que lançou apenas os dois primeiros volumes. É completamente pintada a mão em uma incrível técnica mista onde o artista utiliza a tinta acrílica para as manchas da base sobre um esboço de carvão, acrescenta o pastel para definir as figuras com linhas e volta com pincéis para fazer luzes. A arte impressionante dessa HQ a colocou no rol das maiores realizações dos quadrinhos. No entanto, o terceiro volume, imperfeito, faz com que seja uma obra-prima incompleta. A atual edição brasileira é da Nemo, com uma tradução bem diferente da antiga.

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De volta para o passado… por favor!

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Marty McFly chega hoje. Não vai passear de Hoverboard, não vai ver Tubarão 19 em Holomax, não vai andar em carros voadores, não vai usar tênis que amarram sozinhos, jaquetas autosecantes, muito menos utilizar lixo como combustível. Vai apenar ver tablets, cinema 3D, telas planas, videochamadas e aplicativos para previsão do tempo. Também vai descobrir a existência de algo chamado internet, uma rede de computadores controlada por grandes corporações que conecta virtualmente todas as pessoas do mundo, ele vai descobrir que as pessoas trocam mensagens por meio dessa rede em vez do Fax, já extinto. Fotos, vídeos, textos e todo tipo de informação podem ser compartilhadas em tempo real. A chegada de seu deLorean será filmada com um smartphone e curtida por milhões em uma página de vídeos chamada youtube. Ele vai virar meme.

Descolando um smartphone, McFly vai aderir plenamente a essa rede, entusiasta de tecnologias que é, vai navegar pelo Facebook e logo vai descobrir que o assunto do momento é o trailer do novo filme da franquia Star Wars, continuação da trilogia que ele assistiu em fitas de videocassete, na companhia do Doc Brown, no longínquo ano de 1985.  Esse vídeo é veiculado há dois dias a exaustão e todos, absolutamente todos os seres viventes do mundo civilizado já viram.

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David Lasky e o embuste nos quadrinhos contemporâneos

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A arte moderna, baseada em novas teorias estéticas, filosóficas e da comunicação, trouxe inúmeras novas possibilidades de realizações artísticas. Nem preciso citar o surrealismo ou o expressionismo para provar isso. Foi um grande avanço, um legado para o mundo contemporâneo.

Porém este mesmo avanço trouxe, como um vírus que se ocultava em células saudáveis, a possibilidade do embuste. Os primeiros a se aproveitarem disso foram os conhecedores das teorias que davam base para as novas escolas artísticas; os curadores, galeristas e artistas sem talento passaram a ludibriar as pessoas mais simples, sem conhecimento do universo teórico.

Logo surgiu o “tudo é arte”, e uma série de obras sem valor tomou conta do meio artístico, quase substituindo e destruindo as realizações legítimas. É a chamada “arte contemporânea”, que ninguém pode questionar sem ser taxado de ignorante. Hoje pode-se deparar com uma obra de arte que consiste em um cachorro faminto amarrado em uma galeria, abandonado lá até a morte; um monte de tijolos amontoados; um homem que enfia um crucifixo no ânus; uma rajada de vento; uma cama desarrumada com preservativos usados; uma mulher que enfia salsichas na vagina; carros pendurados no telhado; um tubarão em formol; um papel que certifica “vale uma obra”.  Tudo isso é arte. A crítica mexicana Avelina Lésper é uma das poucas no mundo que desmascara essas farsas.

E os quadrinhos, o que tem a ver? É óbvio, notei que essas teorias, na categoria doentia do embuste, já vem sendo aplicadas aos quadrinhos. Atualmente já existe uma súcia de artistas que vive da falsificação pura e simples. Sem talento ou capacidade alguma, extraem fama e reconhecimento do meio onde medram estudiosos, editores e críticos embusteiros, todos tentando enganar o público com obras sem valor algum.

Afinal, “tudo é arte, tudo é quadrinhos” mesmo os rabiscos de uma criança débil mental, e um público de deslumbrados, com medo de serem chamados de ignorantes, cala a boca.

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Abrindo a Caixa #4

gibi

Gibi

Poucas pessoas já devem ter parado pra pensar que no Brasil temos palavras únicas e belíssimas. Nosso jeito de falar o português é incomparável.

As palavras Gibi e Quadrinho, por exemplo. Não me consta que sejam usados termos semelhantes em nenhum outro país.

Em italiano os quadrinhos são chamados de Fumetti; na França eles são Bande Dessinée; em Portugal, Banda Desenhada; nos Estados Unidos chamam-se Comics; Na Espanha as revistas são chamadas de Tebeos; No Japão são mangás, os desenhos irresponsáveis. Em outros países latinos são chamados de Historietas.

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