Crise na Marvel – Não queremos diversidade, queremos diversão!

 

No final da semana passada, o site ICv2 fez a cobertura exclusiva de uma reunião do alto escalão da Marvel com 14 dos maiores  varejistas de quadrinhos dos EUA e Canadá onde o principal assunto foi a queda nas vendas de gibis da editora, que vem ocorrendo desde o último mês de outubro. O encontro foi comandado pelo editor chefe Axel Alonso e por David Gabriel, vice presidente de vendas e marketing. Os varejistas se manifestaram acerca de várias possíveis causas para este problema, incluindo o excesso de reboots e grandes eventos promovidos incessantemente pela Marvel, até o gerenciamento de talentos.

A reunião não passaria de um encontro corporativo e não despertaria tanto interesse do público se não fosse por declarações de lojistas e de David Gabriel, colocando a responsabilidade pela queda brusca nas vendas na insistência da editora em operar mudanças drásticas em personagens clássicos, somente para incluir a tal da “diversidade” em seus títulos.  Essas mudanças radicais teriam chegado ao ponto de fazer os leitores pararem de comprar, ou simplesmente não se interessarem por eles.

Os lojistas lidam diretamente com os fãs de quadrinhos e conhecem o problema mais do que ninguém. Alguns apenas afirmam ser a diversidade pouco importante, desde que as histórias sejam de qualidade. Mas um deles declarou sobre o conteúdo político das HQs:

“Eu não quero isso de vocês, eu quero que vocês produzam entretenimento, esse é o trabalho. Um dos meus clientes sabia que eu viria aqui e me disse que ele quer ler histórias e não liga pra mensagens [políticas], mas não quer que essas coisas sejam jogadas na cara dele.”

Um outro varejista comentou :

“Em se tratando do Oscar, esse assunto foi muito discutido, mas eu olho para a fria e dura realidade, eu estou fazendo negócios. Um monte desses filmes [com diversidade], e outras coisas em outras mídias, não fazem realmente um bom dinheiro. Pra mim, o que importa mais é se eu vou vender ou não.”

Para defender as atitudes da editora, Axel Alonso tentou contextualizar as mudanças realizadas nos personagens, deu uma de isentão:

“Passamos por um período em que na cultura pop como um todo (e vocês percebem isso tanto quanto nós), há uma discussão maciça sobre inclusão e diversidade. Foi um tema dominante no Oscar. Isso perpassou a nossa cultura, até a Disney, e tudo. Estávamos bem conscientes disso. Mas a Marvel não é política. Estamos aqui para contar histórias sobre o mundo. Eu acho que somos uma expansão do que Stan Lee fez. Quando eu considero o que pretendemos fazer, vejo que procuramos contar histórias relevantes para este momento. Isso é o que importa.”

 

Após a reunião, o site entrevistou o executivo David Gabriel, vice presidente de vendas e marketing da Marvel. A diversidade não vende e os fãs não querem mais tantas personagens femininas. Foi a esta conclusão óbvia que se chegou. As declarações de Gabriel caíram como uma bomba na mídia de quadrinhos americana e causou furor em grupos de feministas e outras denominadas minorias. Leia a tradução de um trecho da entrevista:

Parece que as preferências dos fãs mudaram, porque algumas coisas que vocês produziam algum tempo atrás não estão mais obtendo o mesmo sucesso. Você percebeu isso ou nós estamos interpretando mal?

Não, eu acho que é isso. Eu não sei se esses consumidores que por três anos, por suas preferências pessoais, nos apoiaram em quase tudo que tentávamos fazer, quase tudo que pretendíamos, qualquer novo personagem que lançávamos, ou eles já não compravam naquela época ou, como você disse, talvez o gosto deles tenha mudado.

Definitivamente, torceram o nariz para o que fizemos de forma bem sucedida nos últimos três anos, e não é mais viável. Nós percebemos isso e devemos reagir, isso é tudo.

Agora a pergunta mais importante. Por que os gostos mudaram?

Eu não sei se essa é uma pergunta pra mim. Eu acho que é melhor perguntar aos varejistas que estão encontrando os editores. O que ouvimos é que as pessoas não queriam mais nenhuma diversidade. Elas não queriam personagens femininas lá. Acredite ou não, foi isso que ouvimos. Eu não sei se é verdade de fato, mas foi o que vimos nas vendas.

Vimos pelas vendas que as pessoas estavam torcendo o nariz para qualquer personagem diverso, qualquer personagem novo, nossas personagens femininas, qualquer coisa que não fosse um personagem consagrado na Marvel. Isso foi difícil pra nós porque tentamos dar a luz a um monte de ideias novas, modernas e excitantes e nada novo realmente funcionou.

 

As declarações de David Gabriel causaram tamanho furor quando replicadas no Bleeding Cool que os sites feministas foram a loucura e começaram a ensaiar um “backlash” contra o executivo da Marvel que teve a coragem de dizer a verdade. Até grandes autores de quadrinhos como Mark Waid se indignaram com suas declarações. A diversidade nos quadrinhos, o templo sagrado de escritores e desenhistas moderninhos, o sentido da vida das militantes feministas que nem sequer leem quadrinhos tinha sido desmascarada, e não por um blogueiro anônimo como eu ou um leitor qualquer indignado com a destruição de seus personagens preferidos, mas pelo VP de marketing e vendas da Marvel!

O mundo dos caras caiu, eles tinham fracassado. Jornalistas, desenhistas, escritores e militantes, um monte de gente que vive dessa ilusão perigosa e autoritária de reivindicar representatividade viu seu castelo de cartas em ruínas. Foi necessário uma manifestação, uma correção. David Gabriel, provavelmente forçado pelos seus superiores, contatou o ICv2 e mandou um texto de “esclarecimento”. Em linguagem simples e quase técnica, nada espontânea, provavelmente obra de um relações públicas, o texto desmente o dito anterior:

 

“Discutido com franqueza por alguns dos varejistas no encontro, ouvimos que alguns não estavam satisfeitos com o falso abandono dos principais heróis Marvel e, ao contrário do que alguns disseram sobre personagens “não funcionando”, o fator de aderência e popularidade da maioria dos novos títulos e personagens como Squirrel Girl, Ms. Marvel, The Mighty Thor, Spider-Gwen, Miles Morales e Moon Girl, continua a provar que nossos fãs e varejistas ESTÃO SIM entusiasmados com esses novos heróis. E deixe-me ser claro, nossos novos heróis não vão desaparecer! Estamos orgulhosos e empolgados em continuar introduzindo personagens únicos que refletem novas vozes e novas experiências no Universo Marvel e coloca-los ao lado de nossos heróis icônicos.

Também sabemos de lojas que recebem e apoiam nossos novos personagens e títulos, e querem mais! Eles renovaram sua própria base de clientes e suas lojas cresceram graças a isso. Então estamos considerando os dois lados da história e a única mudança futura que estamos preparando é para garantir que não  se perca o foco de nossos heróis principais.”

 

Mesmo com a retratação, as feministas começaram a arrancar os pelos das axilas com os dentes. Seus apoiadores, os eunucos nerds do politicamente correto, ficaram desesperados e ainda continuam chorando; o site autoritário The Mary Sue, o Gizmodo, Io9 e um monte de desocupados do Twitter ainda continuam a repercutir o caso. Confrontados com a realidade, de que seus gibis com diversidade não vendem e estão afundando uma das maiores editoras de quadrinhos de todos os tempos, eles tentam de todas as formas se segurar, mas os dados objetivos, das vendas, da experiência dos varejistas que lidam diretamente com os fãs de HQs, nada disso pode ser deturpado. Por mais que o jornalismo fake news dos quadrinhos tente esconder, o fato é que esses gibis, com raras exceções, são uma armadilha.

No Brasil, o site Terra Zero escondeu as declarações de lojistas sobre diversidade na Marvel, como se essa não fosse a verdadeira questão. Deram ênfase aos outros problemas da editora: excesso de reboots, fuga de talentos, preços dos gibis; mas esses são problemas velhos, os fãs de quadrinhos mais antigos já os discutem há muito tempo, são até óbvios e a editora não faria um encontro com varejistas pra discutir isso. Também não foi citado que o executivo David Gabriel foi obrigado a se retratar para evitar o que os esquerdinhas chamam de “backlash”. Os sites fake news dominaram os quadrinhos, muitos deles atingiram o sucesso  graças a esse papo de diversidade, portanto, não podem ir contra isso. Nesta semana, espera-se por uma enxurrada de artigos defendendo a tal diversidade. Todos vão se esmerar em garantir a sobrevivência da sua muleta psicológica e financeira. Vão culpar as reviravoltas editoriais e reboots incessantes da Marvel (como se a DC não fizesse o mesmo). Vão chamar os leitores de conservadores, radicais, racistas e homofóbicos, vão fazer de tudo, menos comprar um gibi com diversidade, afinal, já foi provado que isso eles não fazem.

Porém, esse fato demonstra, as coisas devem mudar um pouco, a DC já cuidou de seu quintal e lançou o Rebirth, iniciativa que visa retornar aos arquétipos clássicos dos seus heróis, com pouca ênfase em diversidade. A própria Marvel já anunciou Generations, um novo relaunch para curar as feridas e retomar seu espaço. É cada vez mais claro, o público comum, as pessoas que realmente amam quadrinhos, gente que entende do assunto, tem respeito e é apaixonado por gibis desde criança, não quer diversidade, quer diversão.

 

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9 comentários

  1. “No Brasil, o site Terra Zero escondeu as declarações de lojistas sobre diversidade na Marvel, como se essa não fosse a verdadeira questão.” Em seus podcast o Terra Zero culpa os lojistas por não quererem vender os gibis inclusivos, como se laurear de ouro um panfleto de DCE fosse fazer o público cair nessa roubada.

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  2. A questão nunca foi não queremos diversidade. Faz muito tempo que conhecemos Luke Cage, Ororo Munroe, Jefferson Pierce e muitos outros. Shang-Chi é quase literatura tendo em conta o contexto da “kung fu craze” em que foi criado. Nós não queremos diversidade, nem queremos não-diversidade. Mais importante é a qualidade. Miles Morales e Sam Alexander têm qualidade, Kamala Khan e Ri-Ri Williams não. Eu gosto de Amadeus Cho como Amadeus Cho. Ele não precisava de ser transformado em Hulk, nem é uma evolução natural para o personagem.

    Não tenho qualquer interesse em Moon Girl e estou farto de Squirrel Girl. Como piada, funciona, tal como Howard the Duck, Mas quando é para levar a sério, a ideia que ela pode derrotar o Dr. Destino num confronto realista é insultuoso para a inteligência de um leitor.

    O Falcão como Capitão América funciona na medida em que é um herdeiro apropriado para o legado de Steve Rogers. É o único que entende realmente o que isso significa. Mas com a eliminação do legado de Steve Rogers, ao transformá-lo em Capitão Hidra, a nova identidade do Falcão não significa nada. O que não funciona de maneira nenhuma é Jane Foster como Thor.

    Jane Foster como Thor é ainda pior que a “agenda feminista” da Harpia (agente secreto amoral com agenda feminista?!). Foster é a pior introdução de Stan Lee no mythos do Thor. Quando Jack Kirby tomou conta da história, livrou-se dela o mais depressa possível. E nem Walt Simonson, que fez a melhor fase de sempre do Thor, conseguiu pensar em qualquer uso produtivo para ela. Além do mais, a transformação de Thor em Foster é quase uma forma de revisionismo histórico. Thor não é um super-herói, é uma referência cultural, e sem esse contexto o nome não significada nada.

    Pior ainda, é uma admissão de falhanço do marketing da Marvel, de que só conseguem vender histórias com marcas conhecidas. É por isso que nenhuma feminista piou quando Angela foi um falhanço comercial, nem ninguém pensou em qualquer em fazer um spinoff com Sif, apesar de ela ser uma das partes mais interessantes do primeiro filme do Thor.

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    1. Olha, discordo de vc quando cita que o Nova Sam, o Aranha Miles e o Capitão Sam funcionam.

      O Nova original teve um desenvolvimento fantástico durante a saga Aniquilação e prosseguiu na sua continuação Aniquilação 2. Suas estórias solo estavam boas. Contudo, decidiram reintroduzir o personagem na Terra e, com isso, mataram tudo o que o personagem se tornou. E depois que acabaram com o desenvolvimento dele, mataram o personagem de forma porca. A inserção do Nova Sam foi em razão de terem desconstruído e depois matado o original. Por isso, acho que poderiam ter feito um serviço melhor.

      Com relação ao Capitão Sam, na minha opinião o melhor herdeiro seria o Bucky por toda a história do personagem na década de 40, bem como o que fizeram com ele como Soldado Invernal até ele assumir o manto do Capitão. E se vc se lembra, o período em que o Bucky ficou como Capitão foi muito bom. Mas para variar, desconstruíram o personagem e depois o relegaram ao ostracismo. Por isso considero o Bucky como herdeiro imediato do Steve e não o Sam.

      Quanto ao Aranha Miles, ele teve todo um desenvolvimento no Universo Ultimate. Contudo, ao inserirem o Miles no Universo regular, deram a entender que ele sempre foi desse Universo, mas não criaram nenhuma estória explicando o surgimento do Miles neste Universo, ou seja, como ganhou poderes, primeira aventura, etc…

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      1. Sam Alexander não foi criado para ser o “Nova latino”. Ele é uma homenagem ao filho de Jeph Loeb, Samuel Alexander Loeb, que morreu aos 17 anos vítima de câncer dos ossos. Escolheram o Nova porque a história necessitava de um sacrifício, e o Nova não ia aparecer no filme dos Guardiões da Galáxia. A única coisa que eu não teria feito com o Nova é colocá-lo nos Vingadores. Ele não merece.

        Bucky como Capitão também não merecia estar nos Vingadores. Não foi nada inspirador. Aliás, parabéns pela originalidade, Ed Brubaker, vamos matar o Jack Monroe para transplantar a personalidade e o cabelo dele para o Bucky Barnes. Sam Wilson é o único que entende realmente o que significa ser Capitão. Foi ele que esteve ao lado de Steve nos piores momentos, quando o Capitão dos anos 50 tentou desacreditá-lo para roubar a identidade, quando Richard Nixon foi revelado como o líder do Império Secreto, quando Sharon Carter foi dada como morta, ou quando Steve foi demitido pela Comissão de Actividades Super-Humanas.

        Há vários anos, eu escrevi um artigo de opinião defendendo que Morales tem a personalidade necessária para ser o Homem-Aranha. A propósito do artigo era justificar tirar o Peter Parker, de cena, dando-lhe o final feliz que ele tinha merecido. Na época, existiam quatro “Aranhas” de serviço, Miles, Miguel O’Hara, Flash como Venom, e Kaine como Aranha Escarlate, e todos podiam substituir Peter.

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  3. Vocês têm uma obrigação: reproduzir uma matéria em inglês que já foi feita.
    Mas fazem isso de forma enviesada. Deveriam se envergonhar por reproduzirem inverdades.

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  4. Nossa, parece que finalmente a era dos SJW estão perdendo um pouco a força. Agora é hora dos esquerdo-machos sofrerem um pouco.

    O castradinho do Otaviano Costa já foi afastado do Video Show. Toma trouxa!

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