Mês: julho 2014

Proibição da publicidade infantil – O futuro autoritário planejado

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A mídia de quadrinhos vem noticiando de forma confusa e atabalhoada o que seria uma ameaça a produção e comercialização de quadrinhos, desenhos animados, games e qualquer mídia que tenha como público alvo crianças e adolescentes. A ameaça consiste em uma resolução do “Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente – CONANDA” que supostamente proíbe a veiculação de publicidade direcionada a crianças.

Para evitar mal entendidos, é chato, mas necessário, ler aqui a íntegra do texto da resolução, depois partimos para os meus comentários.

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Como criar um super-herói brasileiro em dez lições

 

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Certa vez prometi que não ia mais falar sobre quadrinhos brasileiros, foi em um momento em que me senti realmente ameaçado por pessoas que não gostavam de minhas opiniões. Depois de um tempo mudei de ideia e me peguei pensando no assunto. Não gosto do que se produz de quadrinhos no Brasil, mas senti que poderia, aqui na função de alguém que pensa os quadrinhos de maneira crítica, dar uma contribuição para aqueles que desejam criar algo, através de uma série de artigos. Que esses textos um dia serão úteis a alguém eu não sei, mas que fique registrado que eu tentei.

O primeiro tema a ser tratado são os super-heróis, sendo que estas dicas se destinam mais aos escritores, sem mais delongas:

Como criar um super-herói brasileiro em dez lições

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Curiosidades negras

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Capitão América substituído por Falcão, um herói negro. Homem-Aranha ultimate moreninho. Perry White do cinema é Black. Heimdall é o primeiro deus nórdico afro da história dos filmes de herói. Nick Fury vira Samuel L. Jackson! Será que o politicamente correto está enegrecendo os heróis pra supostamente discutir racismo?

Hei, qual é a novidade afinal? O debate suscitado pelo Capitão América negro já poderia ser datado e nunca chega a lugar nenhum pra ter qualquer importância, mas ainda suscita muitas discussões, principalmente brigas e acusações infundadas de racismo.

Heróis se tornando negros não é coisa exatamente nova, escritores de quadrinhos já fizeram isso várias vezes. Contudo, há dois casos que lembrei, no meio de toda essa controvérsia, bem mais interessantes pra se refletir. Casos em que os personagens não foram substituídos, mas se transformaram em negros por um breve período.

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Meus vinte gibis preferidos

Tem gente que diz que eu não gosto de nada, que eu detono tudo, que meu blog é só pra reclamar e causar com fãs de quadrinhos. Não é verdade.

Pra calar a boca da oposição, decidi publicar a minha listas de gibis preferidos e explicar com algumas palavras o porquê de eu gostar deles. A lista surgiu como resposta a uma enquete em uma rede social, nunca tinha feito isso antes e acrescentei apenas umas três correções.


Conan de Roy Thomas

Conan de Roy Thomas

01 – Conan de Roy Thomas

Roy Thomas conseguiu manter nos quadrinhos toda a essência do personagem de Robert E. Howard, é por isso que seu Conan é insuperável e está em primeiro nesta lista.

Estava me perguntando se não teria me tornado um saudosista com essa coisa de cultuar Conan. Não gosto de saudosismo porque sou novo, ainda vou fazer 33. Muito novo pra ficar relembrando a infância. “Ah o primeiro gibi que li, como era bom, e tudo hoje é ruim”. Acho isso patético, a não ser que você tenha 60 anos.

 

Gosto do universo do Conan, mas não é por saudosismo, é porque é pura fantasia, tem elementos de magia, referências (pseudo) históricas, deuses estranhos e muita violência. A era hiboriana do Robert E. Howard é interessante pra mim como uma fuga, puro escapismo, apesar de ter elementos bem realistas incluídos por Howard.

Por ele ser um pessimista nato, fez dos hiborianos um retrato do que há de pior na humanidade, e condenados ao devir. É a versão trágica da história humana, como eu costumo dizer, lembrando que tragédia era um gênero de ficção, do teatro grego, onde o homem é preso ao fatalismo. A história de Conan é trágica. Assim a das civilizações hiborianas, dos grandes reinos esplendorosos que se erguem por um momento para logo caírem em decadência e virarem poeira. A civilização humana é destinada a tragédia e ao esquecimento.

Isso me lembrou uma vez em que conheci um senhor de uns 60 anos, jornalista muito culto, pesquisador de ocultismo, que me disse que gostava de Conan, na época eu achava que gente velha não gostava de quadrinhos, especialmente um homem culto.

Perguntei “O senhor sabe que Conan veio da literatura né?”.

“Sim, mas o autor era doido, se suicidou aos 30 anos.”

“Será mesmo?”.

“Sim, senão ele não teria criado Conan”

Assustado, troquei de assunto.


 

EC Comics

EC Comics

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Esquerdistas, os maiores inimigos dos quadrinhos?

Editorial de Bill Gaines

 

Brincadeira, ironia ou sinceridade? A figura acima é o scan de uma página editorial publicada nas revistas da EC Comics, de Bill Gaines, em agosto de 1954, ele acusava esquerdistas (comunistas) de serem os maiores perseguidores dos quadrinhos. 

Na época, em plena Guerra Fria, quando ser comunista nos EUA poderia levar um sujeito a cadeira elétrica, esse editorial foi encarado como uma brincadeira de mau gosto. É sim uma brincadeira, porém, ela tem um fundo de verdade.

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O Caixa de Gibis está de volta!

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O tédio e a ignorância dominavam os sites de quadrinhos, tudo se resumia a discussões inúteis entre nerds gordos espinhentos sobre a ducentésima foto de um filme que só seria lançado dois anos depois, sobre a verdadeira cor dos olhos ou um pequeno detalhe no uniforme de um super-herói, sobre banalidades que passavam da idolatria a Alan Moore ao elogio da mediocridade dos quadrinhos brasileiros; ninguém fazia nada além de um jornalismo baseado em copiar, traduzir mal e porcamente, colar e assinar embaixo de notícias provenientes de sites estrangeiros; não havia crítica, análise, estudos e opinião sincera sobre quadrinhos na internet brasileira e ninguém mais esperava que isso fosse mudar.

Foi quando surgiu o Caixa de Gibis.

Nunca antes um site de quadrinhos causou tanta polêmica pela sua sinceridade, exatidão e coragem em abordar todos os aspectos que envolvem a criação e comércio de HQs, nunca antes se falou a verdade sobre a mediocridade dos quadrinhos feitos no Brasil ou a agenda politicamente correta aplicada nos quadrinhos de super-heróis e nunca antes se investigou com tanta profundidade o verdadeiro valor dos quadrinhos em nossa vida.

Agora, o site que introduziu na internet brasileira a crítica de quadrinhos está de volta, dessa vez em uma versão super!

Super porque retorna muito mais forte, com o objetivo de apresentar artigos muito mais abrangentes, baseados em exaustivas pesquisas sobre a história e estética dos quadrinhos, sempre em livros de renomados especialistas, super porque retorna para tratar de quadrinhos de todos os gêneros e épocas, de todos os lugares do mundo, mas sem cair jamais no saudosismo piegas, no proselitismo político, no parasitismo acadêmico ou no elogio barato.

Esta nova versão do Caixa de Gibis veio pra tornar público o resultado de uma busca e uma tentativa de compreender e apreciar as histórias em quadrinhos pelo que elas realmente são. Mais polêmicas vão acontecer, mais inimigos surgirão, e aumentará o numero de pessoas dedicadas com seriedade a atividade mais divertida de todas.

Espero que você tenha fôlego pra acompanhar. Abra sua Caixa de Gibis e divirta-se!